Alugar ou financiar? Casar ou comprar uma bicicleta? Eis a questão! Hoje, vamos contar a história de Paula Fogaça Forti, uma mulher que acabou tendo sua casa financiada sem querer. “Mas como alguém financia um imóvel sem querer, Me Poupe!?”. Vem entender essa história, que ela certamente vai sanar muitas das suas dúvidas.

Por Me Poupe!

Ter um imóvel próprio é o sonho de 87% dos brasileiros entrevistados por uma pesquisa feita pelo Censo de Moradia QuintoAndar e o Instituto Datafolha. Com a Paula Fogaça Forti, 32 anos e analista de mercado,  não foi diferente: ela sempre teve este sonho. Dividia um apartamento alugado com as amigas e achava que ter a casa própria era um projeto muito distante.

Entretanto, num belo dia, sua mãe decidiu financiar um apartamento. Depois de pagar a entrada, ela transferiu a dívida pra filha. Mas calma, ela não fez isso para se livrar do abacaxi não. O que ela queria mesmo era dar o pontapé para que Paula conseguisse realizar seu sonho.

Paula, então, decidiu assumir o financiamento, vendo aí uma possibilidade real de conquistar algo que parecia muito improvável. “Resolvi voltar a morar com minha mãe para poupar dinheiro e arcar com os custos extras depois que a chave fosse entregue”, ela contou.

Agora me conta, você também compartilha do sonho da Paula em ter um imóvel próprio mas tá em dúvida entre permanecer no aluguel ou seguir com o financiamento, conheça o fabuloso e descomplicado Simulador Alugar ou Financiar da Me Poupe! e mãos às contas.

Casa financiada vai muito além do valor simulado

Na compra de um imóvel, SEMPRE existirão despesas que não estão incluídas no financiamento. Ainda mais se você comprar um apartamento na planta, como foi o caso da Paula.

Por isso, prepare-se para arcar com as despesas de documentação, como os gastos de escrituração e  cartório, transferência de titularidade, entre outras. Dependendo de como for entregue o apartamento, você precisará contratar um pedreiro para colocar piso, ajustar a parte elétrica e hidráulica, mandar fazer alguns armários, box para o banheiro, armários…

Ah, e você também precisará de toda a mobília! E se você for morar sozinha ou sozinho, não pode se esquecer dos utensílios básicos de cozinha e banheiro, por exemplo, além dos eletrodomésticos.

Ufa! É muita coisa! Se você tá nessa, já criou uma meta para arcar com tudo isso? Essas despesas estavam previstas no seu plano inicial?

Se você ainda não colocou tudo na ponta do lápis, é só dar uma conferida no vídeo abaixo. Nele, nossa musa das finanças te dá o passo a passo para calcular centavo por centavo na hora de alugar ou financiar um imóvel pela primeira vez.

Financiar ou ser financiada? Eis a questão. Afinal, quanto custo sair de casa?

E, afinal, o que vale mais a pena: alugar ou financiar?

Depende! Ok, essa pode ser a resposta que você não estava esperando. Por isso, conversamos com o professor Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que nos disse que é importante avaliar dois pontos principais:

1. O valor do aluguel é menor que o valor a ser financiado?

Entender essa diferença é importante por um simples motivo: muitas vezes, pagamos anos de aluguel e o imóvel não é nosso. Se o financiamento for mais barato, vale a pena você comprar algo que seja pra você.

Iara Rodrigues, executiva de contas e que mora há 19 anos de aluguel, quer comprar um imóvel e, há 2 anos, vem fazendo contas para saber se vale a pena ou não partir para um financiamento.

Até o momento, ela percebeu que é mais vantajoso continuar no aluguel. “A diferença do valor do financiamento eu invisto mensalmente, me ajudando a acumular um montante para dar uma boa entrada e, assim, amortecer as parcelas”, ela disse.

Acompanha o raciocínio aqui: se um apartamento custa R$1100 para alugar e a parcela do financiamento é de R$1600, estamos falando em uma diferença de R$500 mensais, correto? Você pode aplicar essa diferença durante alguns anos e dar uma entrada caprichada!

Mas, conforme alerta o professor Ricardo Teixeira, é importante corrigir os valores levando em consideração a inflação

Conforme foi noticiado esta semana, R$100 compram hoje o mesmo que R$13,91 em 1994. Assim, se você planeja comprar hoje uma casa à vista no valor de R$300.000, precisa considerar que esses R$300.000 não comprarão o mesmo imóvel daqui a 5, 10 ou 20 anos.

“Mas, Me Poupe!, eu tenho um sonho de morar numa casa nas montanhas que não vai caber no meu bolso!” 

Se você tem esse sonho e ele não cabe no seu bolso, então continue no aluguel. Como falamos lá no começo deste texto, muitos brasileiros sentem mais segurança em ter um imóvel próprio. Se você quer morar por anos num lugar que ficaria muito caro para você comprar, tá tudo bem!

2. Você estará comprando um imóvel pra morar ou viver de renda?

Essa pergunta é essencial para entender o seu “perfil de investidor imobiliário”. Isto é, qual vai ser o seu principal objetivo com a compra de um imóvel: você quer morar lá ou alugá-lo?

Se a sua resposta foi a segunda opção, Pedro Leão Bispo, especialista em gestão de finanças e professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sugere que você reflita sobre o tipo de investimento que vai fazer e estude um pouco sobre os  Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). 

Nessa modalidade, você compra cotas de imóveis, ou seja, se torna dona ou dono de parte deles, e recebe uma parte proporcional do lucro que for gerado, chamados dividendos.

Nathalia Arcuri tocando na cabeça, com cara de "entendeu?"
PRATODOSVEREM: Nathalia Arcuri tocando na cabeça, com cara de “entendeu?”

Com os FIIs, quanto maior é o investimento, mais dividendos você recebe. Sem contar que eles têm duas vantagens em relação a um imóvel físico: maior facilidade de compra e venda e uma maior segurança na rentabilidade do fundo, já que o administrador tem muito mais experiência na área imobiliária do que você.

Além disso, você ainda terá menos dor de cabeça, já que não vai precisar lidar com a manutenção física do imóvel e muito menos com os inquilinos. U-au, que sacada hein?!

Achou que não ia ter Relatório de FIIs? Achou errado! Foi dada a largada para desbloquear o poder dos imóveis sem quebrar o cofrinho! Baixe aqui seu relatório gratuito e bora virar o jogo.

Como escolher seu imóvel?

Se você decidiu que vai financiar, é muito importante avaliar o potencial de valorização ou desvalorização do imóvel.

O professor Ricardo  Teixeira nos contou que pode ser muito vantajoso comprar imóveis em lugares um pouco mais distantes dos grandes centros, mas com potencial de valorização futura. Nesses casos, o valor do imóvel  pode superar, e muito, a inflação.

O oposto também pode acontecer. Se houver falta de segurança ou de infraestrutura no bairro, por exemplo, isso pode desvalorizar o imóvel. Então, se você quiser vender ou alugar, vai ganhar menos do que pagou por ele.

Ah, e não vamos esquecer dela, nossa taxa mãe, a Selic. Atualmente, ela está em 11,25%, o que deixa os juros do financiamento mais baixos em comparação com o ano passado. A expectativa é que ela continue caindo nos próximos meses, e com isso, os juros de financiamento tendem a cair também. Se você não está com tanta pressa para financiar, vale a pena esperar um pouco e pagar menos juros pro seu banco.

Por fim, é importante lembrar que todo financiamento sempre sai mais caro do que uma compra à vista. E que um imóvel financiado só é mesmo seu depois que você paga a última parcela. Até lá, ele é do banco.

Mas e a Paula, Me Poupe!?

Lembra da Paula que apresentamos no começo desse texto? Pois é, muitas coisas que falamos por aqui nunca passaram pelo seu planejamento. Mas, ela teve aquele famoso “estalo”! Decidiu que não queria mais ser refém das próprias finanças e começou a mudar o jogo. Ela pegou todas aquelas dicas que a gente adora dar aqui na Me Poupe! e colocou em prática.

Primeiro, ela se jogou numa missão de autoconhecimento financeiro. Abriu todas as contas, olhou bem para os números (sem chorar!) e viu onde estava o gargalo. Ela percebeu que o aluguel que antes parecia a melhor opção, na verdade, estava sugando mais do seu bolso do que o necessário. E o financiamento? Bom, ela descobriu que, se tivesse planejado melhor, poderia ter investido uma grana e, quem sabe, até já ter quitado o apê.

Então, como boa Me Poupeira que era, Paula não se deixou abater! “Mensalmente, guardo uma parte do meu dinheiro que separo para investir numa reserva de emergência do apartamento. Também montei metas mensais a partir de uma planilha – coisa que nunca tinha feito na vida! – para me ajudar a me organizar financeiramente e comprar algumas coisas pra casa”, ela revela. Quem diria, hein?

E assim, Paula começou a escrever um novo capítulo na sua vida, com mais controle e menos surpresas desagradáveis. O final dessa história? Bom, ainda está sendo escrito, mas uma coisa é certa: planejamento financeiro é só o primeiro passo pra você assumir uma conta grande como essas e não criar uma bola de neve com as suas finanças.

Então, se você chegou até aqui, saiba que nunca é tarde para virar o jogo. Pegue as rédeas da sua vida financeira, faça as pazes com as planilhas e comece a construir seu próprio final feliz. Bora lá?